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Preço e dinheiro

Quanto cobrar por uma faxina

Por Maria Luiza27 de julho de 202611 min de leitura
A clean, bright kitchen

A parte mais difícil de trabalhar por conta não é a faxina. É o momento em que um estranho te olha e pergunta: "E aí, quanto fica?" — e a sua cabeça dá branco. Você solta um número baixo demais com medo de perder o serviço, e passa as três horas seguintes limpando por menos do que você vale. Depois volta pra casa fazendo a conta e fica com um aperto no peito.

Quase toda faxineira já passou por isso. A boa notícia é que saber cobrar não é um dom com que a pessoa nasce. É um sisteminha que você monta uma vez e reutiliza pra sempre, pra que na próxima vez que alguém perguntar "quanto fica?", você esteja lendo um número em que já confia, em vez de inventar na hora. Vamos montar esse sistema, passo a passo.

Cobre pela casa, não pela hora

Quando você cobra por hora, é castigada caladinho por ser boa. Você aprende a limpar um banheiro em vinte minutos em vez de quarenta, e o seu prêmio é ganhar a metade por isso. Quanto mais rápida e melhor você fica, menos ganha na mesma casa. Isso está de cabeça pra baixo, e é o que mantém faxineira boa dura.

Cobrar pela casa resolve. Você dá um preço só pelo serviço inteiro — a casa limpa — e a sua rapidez vira o seu lucro, não o desconto da cliente. A cliente também prefere preço fechado: ela sabe exatamente quanto vai pagar antes de você começar, sem ficar de olho no relógio e sem discussão no fim sobre quanto "deveria" ter demorado. Você está vendendo uma casa limpa, não as suas horas. Cobre pela coisa que ela está de fato comprando.

Tem uma exceção honesta, e a gente já volta nela: casas de primeira faxina ou muito sujas são difíceis de prever, então muita faxineira cota essas com uma faixa mais larga ou um preço de "limpeza inicial", e só depois passa pro valor fixo, quando já conhece a casa.

O que realmente muda o preço

Você não está cobrando "uma casa". Você está cobrando uma casa específica, com um trabalho específico dentro. Cinco coisas mexem no número, e quando você consegue enxergar elas, cotar deixa de parecer chute:

  • Tamanho. Quartos, banheiros e metragem. Mais cômodos, mais chão, mais tempo. Banheiro e cozinha pesam mais, porque é onde mora o esfrega de verdade.
  • Tipo de faxina. Uma limpeza de manutenção não é uma pesada, e nem uma de mudança. Uma pesada pode ser 1,5 a 2 vezes uma normal, porque vai atrás de acúmulo que a normal pula.
  • Frequência. Cliente semanal é renda certa e previsível, então ganha um descontinho. Quinzenal, um menor. Faxina avulsa não ganha desconto — se tem algo, custa mais, porque quase sempre está mais suja que uma casa mantida.
  • Extras. Por dentro do forno, por dentro da geladeira, janela por dentro, muita escada, muito pelo de pet, roupa pra lavar, trocar cama. Cada um é tempo extra de verdade, então cada um é uma cobrança extra de verdade — decidida uma vez, anotada, não inventada na porta.
  • A sua região. O valor de faxina numa cidade grande não é o mesmo de uma cidade pequena. O que as faxineiras à sua volta cobram define a faixa em que você vive. Você não consegue cobrar preço de San Diego onde ninguém paga isso, e não deveria cobrar preço de cidade pequena numa cidade onde você está deixando dinheiro na mesa.

Como descobrir o preço da sua região

Você não precisa chutar o valor da sua região — dá pra descobrir numa tarde. Faça três coisas. Primeiro, pergunte a duas ou três faxineiras de confiança quanto elas cobram por uma casa padrão; a maioria conta, se você for simpática e não for concorrente direta pelas mesmas clientes. Segundo, veja o que as empresas de limpeza da sua região anunciam ou cotam por telefone — ligue numa como cliente e pergunte quanto sairia uma normal de 2 quartos e 2 banheiros. Terceiro, repare em como as suas próprias clientes reagem: se ninguém nunca pisca no seu preço, você está quase com certeza baixa demais.

Depois se posicione como uma autônoma caprichosa: geralmente um pouco abaixo de uma empresa grande (você tem menos custo fixo), mas nunca a mais barata da cidade. A faxineira mais barata atrai as piores clientes e é a que se esgota mais rápido. Você quer ser aquela que claramente vale a pena, não a que é só barata.

Monte o seu preço, passo a passo

Você não precisa de uma planilha com cinquenta linhas. Você precisa de uma base e alguns adicionais.

Passo 1 — Defina uma base. Escolha um preço justo pra uma casa padrão da sua região — digamos, uma normal de 2 quartos e 2 banheiros. Essa é a sua âncora. Digamos que a sua pesquisa te leve a R$ 120.

Passo 2 — Some pelo tamanho. Pra cada quarto acima da sua base, some um valor fixo — digamos R$ 15. Pra cada banheiro acima da base, some mais — digamos R$ 20, porque banheiro come tempo. Uma casa de 3 quartos e 3 banheiros é um quarto e um banheiro a mais que a base: R$ 120 + R$ 15 + R$ 20 = R$ 155.

Passo 3 — Some pelos extras. Por dentro do forno, R$ 30. Por dentro da geladeira, R$ 25. Janela por dentro, um valor fixo. Muito pelo de pet, R$ 15. Três lances de escada, R$ 10. Decida cada um uma vez, anote, e nunca mais faça essa conta ao vivo.

Passo 4 — Ajuste pela frequência. Semanal ganha um descontinho — talvez 10%. Quinzenal, 5%. Avulsa, preço cheio ou mais.

Então uma casa de 3 quartos e 3 banheiros com o forno, feita a cada quinze dias: R$ 155 de base-mais-tamanho, mais R$ 30 do forno, dá R$ 185, menos um descontinho de quinzenal, digamos R$ 175. Você fez essa conta uma vez, na sua mesa de cozinha, com calma. Na porta da cliente você só lê "R$ 175". Essa calma é exatamente o que te faz parecer profissional.

Defina um preço mínimo de serviço

Decida o menor número que faz um serviço valer o seu dia — o preço abaixo do qual você simplesmente diz não. Entre ir até lá, a gasolina, os produtos e o tempo, um estúdio pequeno do outro lado da cidade por R$ 50 pode até te dar prejuízo depois que você conta tudo. Um mínimo te protege de dizer sim a um trabalho que te custa caladinho. Escolha um piso — digamos R$ 90 — e segure, mesmo pras casas pequenas.

Os erros que te mantêm pobre

Cobrar barato pra fechar. Uma cliente que só te contrata por ser a mais barata te larga no minuto em que aparecer alguém mais barato. Você não ganhou uma cliente; alugou uma, no prejuízo.

A armadilha da hora. Ficar melhor deveria te pagar mais, e a hora te paga menos. É o motivo número um de faxineira boa continuar dura.

O vício do desconto. Dar um descontinho pra ser simpática, em todo serviço, apaga o seu lucro no fim do mês. Dê desconto por um motivo — um compromisso semanal, uma semana parada que você quer encher — nunca por medo.

Esquecer os seus custos. Produtos, gasolina, o tempo dirigindo entre casas, o celular, o desgaste do corpo. Se o seu preço cobre só a limpeza e não o negócio por trás, você está ganhando menos do que pensa.

O que dizer quando ela fala "tá caro"

Ela vai falar às vezes. Não é um ataque; é uma pergunta, e muita vez só um reflexo. Não entre em pânico nem derrube o preço. Respire e diga algo simples e calmo: "Entendo. Esse preço é pela casa inteira, bem feita, por alguém de confiança dentro da sua casa toda semana. Se o orçamento tá apertado, dá pra fazer um escopo menor — nessa eu deixo a janela e a geladeira pra próxima e mantenho o essencial." Você segurou o seu valor e deu uma escolha de verdade a ela, em vez de um desconto. Muita cliente diz sim no preço cheio no minuto em que vê que você tem certeza dele.

A única coisa que você nunca deve fazer é pedir desculpa pelo seu preço ou baixá-lo no segundo em que ele é questionado. Se você não acredita no seu próprio número, ela também não vai. A sua calma é parte do que ela está pagando.

Aumentar os seus preços depois

Preço não é escrito na pedra. Conforme você fica mais rápida, mais cheia e mais conhecida, o seu valor deve subir. Pra cliente nova, é só cotar o preço novo, mais alto. Pras suas fixas, avise com antecedência e um motivo: "A partir do mês que vem o valor da sua casa passa a ser R$ 140 — a primeira mudança em mais de um ano, e é o que me permite manter o mesmo cuidado com você." A maioria das clientes boas espera isso e fica. As que vão embora por um aumento pequeno e justo geralmente eram justamente as que mais te custavam.

Deixe o app fazer a conta

Depois que você tem o seu sistema, você nunca mais deveria ter que rodar ele na mão. É exatamente pra isso que serve a calculadora do CleanerFlow Agenda. Você preenche a casa uma vez — quartos, banheiros, tamanho, piso, escada, pets, frequência — e ela monta um número justo a partir de valores reais de limpeza da sua região, com o tamanho e os extras já contados. Depois, com um toque, vira um orçamento em PDF limpo de duas páginas, com o seu nome, pronto pra mandar pro celular da cliente. Em uns dois minutos ela tem uma proposta profissional, e você parece exatamente a profissional segura e capaz que você é.

Defina o seu preço uma vez. Deixe o app levar dali pra frente — pra que na próxima vez que um estranho perguntar "quanto fica?", você já saiba, e diga sem piscar.